Sábado, 18 de Abril de 2009

Capítulo 5 - O primeiro encontro

- Nunca fiz uma coisa destas. Mas não sei porquê, quando te vi, soube que tinha de falar contigo – começou Pedro, quando estava a tomar o quarto café do dia. Notava-se que ele já estava a ficar um bocado eléctrico.
- Aposto que dizes isso a todas as raparigas que encontras no elevador – disse a bonita ninfa com uma voz ainda mais, bela do que ele tinha alguma vez imaginado.
- Não sei se vais acreditar, mas eu já te tinha visto antes.
- Pois, pois. Não é a primeira vez que ouço isso. Não tens pontos por originalidade.
- A sério. Por acaso, tinha-te visto ontem e pensei que nunca mais ter iria ver.
- Isto está a ficar um bocado estranho. Normalmente não costuma falar com desconhecidos que encontro no elevador.
- Eu sou o Pedro, tenho 25 anos, trabalho em publicidade, solteiro e bom rapaz.
Já deixei de ser desconhecido.
- Mas ainda não me disseste o teu nome.
- Talvez ainda seja um bocado cedo para revelar. Sabes que sempre me disseram que as mulheres misteriosas eram mais interessantes.
- Uhm. Não sei quem te disse isso, mas essa pessoa está completamente certa.
- Estava só a gozar contigo. Eu sou a Inês.
- Pedro e Inês. Parece-me familiar – disse Pedro, com um ligeiro sorriso.
- Espero que a nossa possível relação não acabe de forma tão trágica- gracejou Inês, com uma graciosidade que só lhe fazia crescer o interesse por ela.
- Já estás a pensar no futuro. Eu estava a pensar num futuro mais próximo. Queres jantar comigo nesta noite?
- Não achas que é muito cedo? Ainda agora nos conhecemos. E porque pensas que quero sair contigo?
- Porque acho que o teu namorado não te merece. Tu precisas de alguém como eu para te fazer feliz.
- Tu estás um bocado presunçoso. E quem disse que eu tinha namorado?
- Uma rapariga tão atraente como tu e com uma personalidade tão cativante, deve ter tido montes de pretendentes. O dificil deve ter sido escolher...
- É essa a tua melhor frase de engate? Penseu que conseguias fazer melhor - disse Inês a gracejar.
- Porque é que não acreditas que eu estou a falar a sério?
- Porque conheço o teu tipo. Infelizmente... - suspirou Inês.

Nesse momento, Pedro olhou para os olhos de Inês e viu um brilhozinho que o emocionou. Não podia estar mais apaixonado. Era algo impensável para um homem com o seu passado.

- Suponho que já tiveste algumas decepções... - disse Pedro, a tentar dar um tom mais sério - Mas alguém que te fez sofrer, não te merece.
- E se por algum acaso, eu decidisse ir jantar contigo. E no dia seguinte um café. Depois um passeio na Praia. Eu começaria a ter sentimentos mais fortes por ti. A nossa relação iria depois para um nivel mais íntimo. E depois? Consegue prometer-me que nunca me irias magoar?
- Eu nunca te magoaria... Nem todos os homens são iguais...
- Eu sei. Mas tu és o tipo de homem com quem eu jurei nunca mais me meter. Aposto que sou apenas mais uma das tuas conquistas. Mais uma para a tua colecção...
- Vou-te dizer um segredo. Apesar de te só conhecer há uma hora, sinto que te posso dizer tudo. Até eu te conhecer, nunca pensei em ter uma relação mais estável. Eu não sou um homem que consegue comprometer-se...
- É assim que pensas convencer-me a jantar contigo? Não estás a fazer um bom trabalho- interrompeu Inês...
- ...mas sinto que és a mulher que me irá fazer mudar de atitude. Eu sinto isso no meu coração. Dá-me uma hipótese e irás ver que não te irás arrepender.
- Eu devo ser a pessoa mais estúpida do mundo...mas...
- Isso é um sim?
- ...Mas há qualquer coisa que me leve a acreditar em ti...

Inês levantou-se de repente da cadeira. E com a voz mais sexy, deu-lhe o número de telemóvel.

- Liga-me quando quiseres o tal jantar... E tu é que pagas...

Pedro sorriu e despediu-se com um beijo na face de Inês. E sentiu novamente o seu perfume que lhe fez instintivamente inspirar profundamente. Era o cheiro do amor...

À medida que Inês se afastava dele, Pedro só pensava que o Cupido tinha acertado em cheio no seu coração...

publicado por Matt Xell às 20:14
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Quarta-feira, 15 de Abril de 2009

Capítulo 4 - Um encontro ocasional

Pedro tinha de se recompor da noite passada. Ao mesmo tempo que ia ouvindo a sua rádio favorita, tomou um duche prolongado, tentando não pensar mais na noite anterior. De seguida fez a barba e foi tomar o pequeno almoço no café do bairro. Nessa manhã, sentiu a necessidade de tomar dois cafés e comer uma enorme tosta mista.

De seguida, chamou um taxi. Tinha de ir à oficina buscar o seu Mercedes. Ele já sentia falta do seu carro. As mulheres não deviam ter direito a tirar a carta de condução.
Sempre que ele se lembrava daquele acidente, pensava que não era assim tão difícil pisar mo travão. Provavelmente, a mulher estava a conversar ao telemóvel a contar as novidades que tinha sobre o namorado da melhor amiga ou então a retocar a maquilhagem.

Pedro conduziu até ao emprego. Naquela zona era difícil estacionar, mas ele tinha direito a um lugar de estacionamento, o H13. A agência de publicidade ficava no 12 º andar de um prédio relativamente recente, que continha também três grandes empresas multinacionais na área de alimentação, uma consultora, uma escola de inglês e duas empresas na área das novas tecnologias.
Hoje tinha chegado relativamente cedo, por volta das 9h30. Não era habitual, pelo que ele devia estar um bocado perturbado. Nessa hora, o elevador parava em todos os andares, pelo que demorava uma eternidade para chegar ao último andar. Do seu gabinete, tinha uma vista lindíssima sobre a cidade.

Logo que chegou, Pedro foi tomar o seu terceiro café do dia. Às vezes, quando tinha de trabalhar até tarde, costumava tomar cinco ou seis por dia. Na sala de cafés (assim chamadas pelos colaboradores da empresa), conversava um bocado com Carlos, quando sentiu um toque leve no ombro. Era Patrícia, que tinha acabado de chegar.

- Hoje chegaste cedo. Não é nada normal chegares primeiro que eu. – gracejou Patrícia.
- Deves estar a brincar. Eu cheguei à hora habitual. Tu é que te atrasaste um bocado. Deves ter tido uma grande noite...
- Por acaso...
- Alguém teve sorte ontem à noite. Diz lá quem foi o sortudo.- perguntou Pedro, com ar de quem estava muito curioso .
- Ninguém que tu conheças. E tu não tens nada a ver com isso...
- Porque não? Tenho de zelar pela felicidade das minhas colegas. E se elas começam a sair com pessoas pouco recomendáveis...
- Sim. Pessoas como o Pedro – brincou Carlos. – Até parece que estás com ciúmes.
- Ciúmes? Como é que adivinhaste? Como é que soubeste que a Patrícia era a mulher da minha vida. Eu até estava a pensar em pedi-la hoje em casamento. Bem, fica para outra oportunidade.
- Tu? Casar? Não sei porquê, mas não te vejo a estar casado. Parece-me que vais ficar solteiro para o resto da vida. E vais ter ai uns três ou quatro filhos de mulheres casadas – replicou Patrícia, que estava a gostar daquela conversa.
- As pessoas podem mudar. Não concordas?

Carlos fingiu que pensava um bocado e depois respondeu à pergunta de Pedro.
- As pessoas sim. Mas tu vais ficar sempre na mesma.
- Vou considerar isso como sendo um elogio.

De repente, um telemóvel tocou e o toque era igual ao dele. Pedro por instinto procurou o seu telemóvel no bolso do casco, mas não o conseguiu encontrar.

- Merda. Não me digam que eu perdi o telemóvel.
- Não o deixaste em cima da tua mesa?
- Acho que não. A última vez que me lembro de o ter utilizado, foi no carro, quando liguei para a minha irmã.
- Não te preocupes. O mais provável é teres deixado-o no teu Mercedes. E como é que ele estava, quando o foste buscar?
- Estava como novo. Não se via nem um risco. E fizeram uma limpeza ao carro. Limpara e aspiraram–no completamente. Já sabes como sou desarrumado.
- Pois. Desde momento que estivemos três horas à procura daquele briefing para o cliente na tua secretária. Parecia que estávamos no meio de uma guerra. Imagina que ainda lá estava um jornal de três meses atrás, ainda por ler.
- Homens! Não se importam de viver em pocilgas. E ainda te admiras de nenhuma mulher querer entrar em tua casa- Retorquiu Patrícia.

Pedro assentiu com um abanar de cabeça e desceu até à garagem. Ficou aliviado quando encontrou o telemóvel no carro. Mas tinha uma chamada não atendida, de um número não identificado. Ele detestava quando aquilo acontecia. Mas pensava sempre que se fosse realmente importante, voltavam a ligar.

Chamou novamente o elevador para subir, que surpreendentemente, chegou num instante. Quando parou no rês de chão, Pedro quase teve um ataque cardíaco. Qual não foi a sua surpresa quando viu entrar no elevador a mulher que tanto o tinha perturbado no dia anterior.

Quando ela disse bom dia, ele sentiu-se diferente, incapaz de pronunciar uma única palavra. O seu coração batia cada vez mais rápido, sem que ele o pudesse fazer qualquer coisa. Ela era mais linda do que ele pensava. Vestia um daqueles vestidos floridos, que as raparigas costumam usar no verão, que evidenciavam todas as curvas do corpo feminino. E o cheiro dela não ajudava. Devia ser o perfume com o aroma mais delicioso que tinha encontrado. Só lhe apetecia cheirar a parte de trás do pescoço e dar-lhe um beijo suave.

Mas nada. Ele não tinha qualquer reacção. Ela ia para o 10º andar. O tempo não era muito. A sua mente estava nublada, sem qualquer indício do que deveria fazer. Era talvez a última hipótese que teria para poder falar com ela. Tinha de dizer qualquer coisa.

- Sabia que “em 1930 um homem foi preso, acusado de bestialismo por molestar sexualmente um pato em Nova Iorque” (1) ?

Tinha sido a coisa mais parva que tinha dito na vida. Tinha ouvido essa frase num dos programas da manhã na rádio, e foi a única coisa que lhe tinha vindo à cabeça. Seguiu-se um momento muito embaraçoso para ele. Será que ela achava que ele era um tarado sexual? Tinha desperdiçado a melhor oportunidade da sua vida?

- Sim, sabia. Isso é ... um desbloqueador de conversa – respondeu a rapariga de forma surpreendente. – também ouvi hoje de manhã. Eu não consigo perder um único programa. É um dos meus únicos vícios.  Eu tenho de ouvir todos os dias esse programa. As minhas manhãs são terríveis. Custa-me muito acordar.

O seu sorriso era um dos mais bonitos que tinha visto. E a simpatia com que ela respondeu fê-lo pensar que ele tinha causado uma boa primeira impressão nela...


O elevador chegou ao 10 º andar. Ela despediu-se educadamente e ia a sair do elevador, quando Pedro gritou:

- Eu sei que pode parecer um bocado repentino, mas queres tomar um café comigo?


(1) in “O Homem que mordeu o cão”

publicado por Matt Xell às 14:52
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Uma história sobre um rapaz (Pedro) e uma rapariga (Inês) que o destino acaba por juntar e que origina uma relação com altos e baixos...

Pedro é um rapaz que nunca foi capaz de se comprometer e que encontra em Inês a primeira rapariga por quem verdadeiramente sente algo... Mas ele desconhece por completo o passado de Inês e que irá trazer grandes repercurssões na sua relação.

Nem tudo corre como eles gostariam nesta história de amor, e por maior que seja o amor que os une, o destino parece querer que a sua história não tenha um final feliz...

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